terça-feira, 16 de março de 2010
Apresentação (nova)
Os objectivos dessa página estão explicados na sua Apresentação, e não os repetirei. Acrescento apenas que nestes seis anos e meio continuei, e continuo, a espantar-me com a facilidade com que os praxistas criam costumes e regras, e com a importância fundamental que muitos atribuem a tolices inventadas nos últimos 10, 20 ou 30 anos; tolices essas que não traduzem uma evolução natural das tradições, com adaptação a novos tempos, mas sim um reforçar de regras e regrinhas, que quanto mais restritivas mais "tradicionais" parecem ser.
Essa página não cresceu como eu gostaria, por uma razão que era de esperar: falta de tempo disponível. A última vez que introduzi material lá foi em Janeiro de 2006; e a penúltima em 2004...
Actualmente, continuo com pouco tempo para organizar material e ideias, e ainda menos para fazer a investigação necessária para completar algumas histórias.
Mas entretanto um acontecimento exterior forçou-me a voltar ao Porto Académico: o serviço de alojamento www.geocities.com foi fechado, o que acarretou o desaparecimento da página.
O objectivo primeiro deste blogue será o de substituir a defunta página do geocities, alojando o material que eu tinha lá colocado (nalguns casos talvez com algumas alterações de pormenor).
Secundariamente, pode ser que de longe a longe eu tenha disponibilidade para colocar aqui material novo - talvez aproveitando o formato de blogue para escrever alguns textos mais curtos, mais modestos e por isso mais exequíveis, sobre tópicos mais específicos (por exemplo: não "A História do Fado de Coimbra no Porto", mas sim "Gravações antigas de fado de Coimbra por estudantes do Porto").
Pode ser ainda que por vezes não resista a colocar aqui textos de opinião. Afinal, isto é um blogue... (Muitos dos que já ouviram as minhas opiniões sobre a praxe e as tradições académicas, se lerem isto, entenderão este aviso como uma ameaça...)
Espero que este blogue possa ter uma vida mais dinâmica do que a página a que sucede, e que possa dar algum contributo para que as tradições académicas no Porto não sejam completamente substituídas por uma praxe-de-regras-novas-a-imitar-o-antigo.
Saudações Académicas!
Apresentação (antiga)
Um dos grandes defeitos das tradições académicas portuenses é a falta de memória.
É verdade que a característica principal de qualquer tradição é o facto de ser passada de geração em geração, sendo um pouco deturpada em cada passagem, que é o que lhe permite evoluir. Se tivermos um conhecimento rigoroso acerca dum hábito de há cem anos e se o reproduzirmos fielmente, estamos a fazer uma reconstituição histórica e não a viver uma tradição. Mas o desconhecimento total dos hábitos dos nossos "avós" (praxisticamente: daqueles que praxaram os que nos praxaram a nós) impede que tenhamos uma visão equilibrada das tradições, de quais as que representam uma longa evolução com significado(s) e de quais as que não passam de modas recentes. Eu, que tive dez inscrições, vi demasiadas vezes pessoas a defenderem acerrimamente costumes "sagrados" porque "antiquíssimos"... que eu tinha visto nascer!
A transmissão do que "se passava antigamente" (não me refiro a cinco, dez anos atrás, mas vinte, trinta, cinquenta, cem...) não pode ser confiada só ao meio oral: é que pouca gente tem um antigo estudante na família e a visão de um antigo estudante é quase sempre redutora ao seu tempo. É necessária então uma memória escrita. Mas enquanto que a bibliografia sobre Coimbra é abundante, sobre os hábitos dos estudantes do Porto o que existe é ou extremamente difícil de encontrar ou muito fraco (ou as duas coisas simultaneamente). Assim se explica que, quando em 1982 dois estudantes da Universidade Católica no Porto, Manuel Cabral e Rui Marrana, resolveram escrever um livro sobre as tradições académicas no Porto, a sua principal fonte de informação tenha sido o Museu Académico... de Coimbra. E o resultado, Quid Praxis, tem muito pouco sobre as tradições que tinham existido no Porto antes da interrupção dessas tradições nos anos 70 (da qual se estava ainda a sair quando o livro foi publicado) - o interesse do livro, hoje em dia, resume-se praticamente ao facto de ser um documento histórico sobre a época em que foi escrito.
Esta página pretende ser um contributo para contrariar esta falha. Tentarei reunir aqui fundamentalmente dois tipos de textos: por um lado, memórias de antigos estudantes do Porto que se encontram dispersas por diversas publicações (mas especialmente nos números únicos do jornal Porto Académico de 1937, 1938 e 1962 - daí o nome da página); por outro, textos da minha autoria em que tentarei fazer uma história de diversas tradições académicas: o traje académico; as tradições musicais (fados, tuna, orfeão); as festas (queima das fitas e afins); a praxe ao caloiro.
O projecto é concerteza demasiado ambicioso, pois em geral é necessário partir do zero. Para piorar as coisas, eu tenho um doutoramento para fazer (cujo tema não é este!), e estou a viver em Londres, de onde o acesso à documentação necessária é, para ser eufemístico, muito complicado. Este projecto é, portanto, um projecto a longo prazo... muito longo prazo. Mas se acharem que o que aqui já está tem algum interesse, vão aparecendo de vez em quando, e nunca se sabe: pode ter havido alguma actualização.
Saudações académicas!
( Londres, 29 de Outubro de 2003)