segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Fado de Despedida cantado por Carlos Leal


Apresento aqui um exemplo de um fado gravado por Carlos Leal (sobre este estudante do Liceu Rodrigues de Freitas e da Faculdade de Medicina do Porto dos anos 1920, cantor de fados de Coimbra, serenateiro e vocalista da Tuna Académica do Porto, ver os textos Registos fonográficos de Carlos Leal e Amândio Marques, "Tempos da fadistação..." e Carlos Leal, «O Rouxinol do Ave», neste blogue).

Esta não é a composição mais interessante das que foram gravadas por Carlos Leal, nem a que foi mais popular. Mas é um dos lados do único disco que possuo de Carlos Leal (tenho gravações em cassete de outros discos, que me foram cedidas há uns 15 anos, mas sem autorização para as tornar públicas).

Como se nota facilmente, faltam nesta gravação os últimos segundos. Além disso, como é natural numa gravação de um disco de 78rpm, sem tratamento posterior, há bastante ruído. Mas, ainda assim, é uma voz que nos chega dos anos 1920...



Sobre este fado, uma versão do Fado do Mar de D. José Pais de Almeida e Silva, ver o texto Registos fonográficos de Carlos Leal e Amândio Marques, de José Anjos de Carvalho e António Manuel Nunes.
A letra do original pode ser consultada no texto dos mesmos autores Relação do espólio fonográfico do cantor Almeida d'Eça.

Quanto à letra cantada por Carlos Leal, confesso que ouço as seguintes quadras, ligeiramente diferentes das entendidas pelo Coronel Anjos de Carvalho e António Nunes.

Uma despedida, no dia
em que se vai de verdade,
é choro duma alegria
que se transforma em saudade.

Que tristeza e tormento
sinto no meu coração!
Mocidade, és qual vento,
fugindo sem ter razão.


Agradecimentos: José Moças (Tradisom) e José Navia (Audiorestauración).

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Registos fonográficos de Carlos Leal e Amândio Marques

Por José Anjos de Carvalho e António Manuel Nunes
[versão ligeiramente revista de um texto publicado originalmente em Junho de 2006 no blogue Guitarra de Coimbra I, de Octávio Sérgio]

Uma Justificação
Uma interrogação sobre o “desconhecido” Carlos Leal, presente na memória descritiva da solfa de “Fado Alentejano” gravado pelo estudante da Fac. de Medicina da Universidade de Coimbra Armando Goes no ocaso da década de 1920, motivou um comentário esclarecedor do Dr. João Caramalho Domingues no Blogue Guitarra de Coimbra I de 20.12.2005, seguido de novas colaborações em 26.12.2005 [1, 2, 3] e 08.01.2006 [1, 2].
De Carlos Leal se navegou para o guitarrista Amândio Marques (1903-1987), cujo nome já havia sido aflorado por Armando Luís de Carvalho Homem em texto de 1999.
Os pedidos de ajuda estenderam-se à Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra no Porto (Dr. António Moniz Palme), à Casa da Beira Alta no Porto (Dra. Maria Fernanda Braga da Cruz), bem como aos arquivos da Ordem dos Médicos e da Ordem dos Advogados.
Por sugestão da Dra. Maria Fernanda Braga da Cruz (inexcedível na abertura dos arquivos da Casa da Beira Alta) aguardámos entre Janeiro e Junho de 2006 uma hipótese de contacto com o filho do falecido guitarrista Amândio Marques, que acabaria por se revelar frustrada.
Gorada a primeira tentativa de contactos, optámos pela edição de uma primeira versão deste estudo no Blogue Guitarra de Coimbra I, postado em 28.6.2006, tecido e urdido apenas com os dados a que foi possível aceder.
O acesso ao grosso da obra fonográfica de Carlos Leal fica a dever-se à generosidade do Dr. João Caramalho Domingues, estudioso e coleccionador que em meados da década de 1990 obteve antigos documentos sonoros relativos ao Porto académico graças a contactos havidos com Paul Vernon. Tais contactos nasceram da necessidade de introduzir correcções nos textos que Paul Vernon autografou para as reedições Heritage/Tradisom. Infelizmente, nos traslados sonoros vindos de Londres em cassete, não houve oportunidade de anotar as autorias impressas nas etiquetas dos discos de 78 rpm gravados na década de 1920 e sem este elemento não nos é possível progredir com segurança numa matéria tão fugaz, considerada mais do domínio do património industrial e menos da arquivística sonora.

I – Notas Biográficas
Carlos Alberto Leal
, filho de Alberto Hermano Fernandes Leal e de Laura do Patrocínio e Silva nasceu em Vila do Conde a 22 de Agosto de 1905. Fez os seus estudos secundários no Liceu Rodrigues de Freitas, da cidade do Porto. Matriculou-se na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, então instalada no Hospital de Santo António (propriedade da Santa Casa da Misericórdia) no ano lectivo de 1924-1925. Terminou o curso de Medicina em 4 de Novembro de 1933, conforme certidão apresentada à Ordem dos Médicos. Exerceu Medicina, com consultório na Rua Mouzinho da Silveira, n.º 72 – 2.º -Porto, tendo prestado colaboração à Faculdade de Medicina da UP, instituição onde trabalhou ao lado de um antigo colega de liceu, de curso e de serenatas, Luís Canto Moniz. Faleceu em 11 de Abril de 1960.
Filho de um cantor e músico, Carlos Leal foi solista de relevo em serenatas académicas do Liceu e da Universidade do Porto, com assídua colaboração nos organismos estudantis do seu tempo (Orfeão e Tuna), récitas e eventos musicais.
Era um tenor operático que conhecia e dominava o “estilo de Coimbra” mais em voga na década de 1920. Apresenta uma fonética cuidada que procura ir de encontro à “pronúncia de Coimbra” e, como cantor, supera sem favor os desempenhos de José Dias e António Batoque. Excluindo “Canção das Rendilheiras de Vila do Conde”, uma canção com refrão mais próximo dos reportórios de tuna, teatro e salão burguês, a obra gravada por Carlos Leal radica esmagadoramente em espécimes estróficos, ao tempo os mais trauteáveis e apreciados pelo grande público e os mais fáceis de improvisar numa serenata nocturna de cortejamento (não estavam associados a arranjos instrumentais individualizadores nem exigiam esforço técnico-criativo ao instrumentista).
As quadras cantadas, à semelhança do que se praticava em Coimbra e nos bailes populares provinciais de arraial e amanho do milho, são por vezes de fraca densidade semântico-literária. Algumas eram cantadas em diferentes melodias como a tétrica “A noite é negra” e “Passam-se noites inteiras” e as coplas vulgarizadas em “O Meu Fado” de Armando Goes (“Nunca chores junto à nora”), que dizem da morbidez soturna marcada pelos referentes estéticos em que reviam ultra-românticos e decadentistas.

Amândio Ferreira Marques nasceu em Mangualde no dia 3 de Julho de 1903. Fez os estudos secundários no Liceu Rodrigues de Freitas, da cidade do Porto, tendo sido colega, amigo e companheiro de serenatas de Carlos Leal, José Pais da Silva, bem como do jovem transmontano Jorge Alcino de Morais “Xabregas” que depois estudou Ciências e Matemática em Coimbra e se dedicou ao toque da guitarra.
Na segunda metade da década de vinte Amândio Marques frequentou a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, com formatura concluída em 21 de Julho de 1930, precisamente no mesmo ano do guitarrista Afonso de Sousa e do barítono Armando Goes. Inscreveu-se na Ordem dos Advogados em 24 de Julho de 1931. Tudo indica que realizou o estágio profissional no Porto, cidade onde teve banca de advogado até falecer em 1987. Distinguiu-se como sócio fundador e animador cultural da Casa da Beira Alta no Porto, instituição que guarda a sua ficha de sócio, um retrato e um busto em bronze.
Nos tempos do liceu e também enquanto estudante de Coimbra, Amândio Marques afirmou-se com executante de guitarra. Todavia o seu nome não consta dos anais da “Década de Oiro” da Canção de Coimbra. Em 1927 promoveu um encontro entre cultores de Canção de Coimbra activos no Porto e em Coimbra. Num “in memoriam” a Carlos Leal, publicado nos inícios da década de 1960 (Carlos Leal. O Rouxinol do Ave. Porto: Porto Académico, 1962, 44-46), Amândio Marques informa que esteve ligado a um grupo activo no Liceu Rodrigues de Freitas onde apareciam habitualmente Carlos Leal, Luís Canto Moniz, Josué da Silva e o próprio Amândio Marques. Em fase posterior, a formação viu-se enriquecida com os préstimos de candidatos a tocadores, poetas e cantores como Francisco Fernandes (g), Alberto de Serpa, Pereira Leite (g), Carlos Alberto de Carvalho, Alberto do Carmo Machado, o Sargento Cadete, António Abrantes e Jorge Alcino de Morais. Este ciclo artístico liceal deve ter ocorrido entre ca. 1922-1925.
Dos guitarristas mais conhecidos no Liceu do Porto na primeira metade da década de 1920, Amândio Marques cita expressamente Aires Pinto Ribeiro, Ernesto Brandão, Cícero de Azevedo, Manuel Pereira Leite e Amândio Marques. Como cantores brilhavam e disputavam as palmas Carlos Leal e José Taveira, seguindo-se-lhes Mário Delgado Viemonte, Cabral Borges e Carlos Alberto de Carvalho.
Amândio Marques é na actualidade um guitarrista totalmente esquecido, não obstante ter gravado discos com o cantor Carlos Leal, e ainda matrizes fonográficas de guitarradas de sua própria autoria. Não se sabe se desempenhou alguma influência artística nos meios académicos portuenses após 1930, nem há respostas para o “apagamento” da sua vida e obra em Coimbra. Tudo indica que nos anos de Coimbra Amândio Marques continuou a manter o seu “Trio de Guitarras e Viola”, fruto de deslocações periódicas à cidade do Porto.
Outro guitarrista com passagem liceal pelo Porto, chegado a Coimbra em 1925, foi Jorge Alcino de Morais “Xabregas”. Xabregas manteve os contactos com os antigos colegas de Liceu e em 1929 efectuou gravações com alguns dos instrumentistas referidos no artigo dado à estampa por Amândio Marques em 1962. As matrizes fonográficas da sessão Xabregas nunca chegaram a ser comercializadas e em declarações de 15.4.1989 este guitarrista não conseguiu especificar os nomes dos tocadores seus “amigos da Universidade do Porto” que lhe prestaram colaboração em estúdio.
Em termos de guitarra de acompanhamento, Amândio Marques revela-se um executante superior a Xabregas, claramente posicionado acima da mediocridade reinante na década de 1920. O acompanhamento de “Canção das Rendilheiras”, com as guitarras em segunda voz muito cantada, supera com manifesto sucesso o tradicional toque por acordes de tónica e dominante. O Trio de Guitarras e Viola presente nos diversos discos de Carlos Leal revela assimilações da técnica de Artur Paredes em termos de trabalho de harmonização. Ao tempo, a formação duas guitarras mais um violão de cordas de aço não era uma prática vulgar. Inferiores aos desempenhos do trio liderado por Amândio Marques nos discos de Carlos Leal, são os desempenhos rudimentaríssimos audíveis nos discos de José Paradela de Oliveira, José Dias, António Batoque, António Menano e Elísio de Matos. Estamos a falar de nomes habitualmente exaltados como Flávio Rodrigues (voz António Menano), Francisco da Silveira Morais (voz Paradela de Oliveira) ou mesmo Paulo de Sá (vozes José Dias e Elísio de Matos).
José Pais da Silva foi aluno da Universidade do Porto, executante de violão de cordas de aço e membro da Tuna Académica do Porto. Parece ser autor de alguns dos temas gravados em disco por Carlos Leal, embora não possamos especificar quais com inteira segurança.
Sobre Francisco Fernandes, executante de segunda guitarra nas gravações de Carlos Leal, não existem informações disponíveis. Pelo “in memoriam” que Amândio Marques dedicou a Carlos Leal, sabe-se que à entrada da década de 1960 Francisco Fernandes exercia Medicina em Moçambique.
O presente levantamento contém avultadas omissões e lacunas. Não foi possível aceder a qualquer dos discos onde Amândio Marques toca a solo as suas guitarradas, pelo que nos limitamos a um arrolamento sumário. No que a Carlos Leal respeita, também nos faltou o acesso às matrizes fonográficas. As cópias facultadas pelo Dr. João Caramalho Domingues permitem-nos confrontar as melodias com outras conhecidas e transcrever, com alguma fiabilidade, as letras cantadas. Sem os discos não é possível visualizar as etiquetas e através delas colher os dados relativos às identificações autorais.

II – Gravações de Amândio Marques
Nos finais da década de 1920, entre 1927 e 1929, Amândio Marques gravou na editora Parlophone quatro faixas sonoras. Contou com a colaboração de Francisco Fernandes (2ª guitarra) e de José Pais da Silva (violão de cordas de aço).
Não conhecemos estas guitarradas, nem tampouco lográmos aceder aos discos.

Disco de 78 rpm Parlophone, B 33.016
98000 - Fado em Ré Menor
98001 - Variações em Lá Maior

Disco de 78 rpm Parlophone, B 33.017
98005 - Fado em Dó Sustenido Menor
98009 - Capricho

De outros colegas de Carlos Leal/Amândio Marques activos no Porto académico na década de 1920, importa escalpelizar:
  • Ernesto BRANDÃO, guitarrista, com pelo menos um disco gravado ca. 1927-1929, acompanhado em violão por José TAVEIRA: (78 pm Parlophone, B 33.006) “Fado em Sol Maior” e “Fado em Ré Menor”;
  • José PAIS DA SILVA e José TAVEIRA, com pelo menos dois discos gravados na Parlophone, ca. 1927-1929, contendo solos de dois violões: “Pas de Quatre” e “Padre Nuestro” (Parlophone, B 33.004); “Cantares Populares” e “Amanhecendo” (Parlophone, B 33.005).


III – DISCOGRAFIA DE CARLOS LEAL
A vida é negra, tão negra
Disco Parlophone, B 33.300
98028 – FADO ALENTEJANO (Fechei a porta à desgraça)
98029 – FADO DA DESCRENÇA (Eu não creio por não crer)

Disco Parlophone, B 33.301
98030 – UM FADO (Passam-se noites inteiras)
98032 – FADO DA NOSTALGIA (A vida é negra, tão negra)

Disco Parlophone, B 33.302
980…– FADO VISÃO (…?...)
980… – UMA CANÇÃO (…?...)

Disco Parlophone, B 33.303
98020 – MINHA MÃE (Minha mãe é pobrezinha)
98021 – FADO DE DESPEDIDA (A despedida no dia)

Disco Parlophone, B 33.308
98022 – MELANCOLIA (A saudade faz lembrar)
98023 – CANÇÃO DAS RENDILHEIRAS DE VILA DO CONDE (Rendilheiras que teceis)

IV – LETRAS GRAVADAS POR CARLOS LEAL

FADO ALENTEJANO
Incipit: Fechei a porta à desgraça
Música: Armando do Carmo Goes (1906-1967)
Letra: 1.ª quadra popular (séc. XIX); 2.ª quadra de João da Silva Tavares (1893-1964)
Edição musical: desconhecemos a sua existência
Data da composição: década de 1920

I
Fechei a porta à desgraça,
Entrou-me pela janela;
Quem nasceu para a desgraça
(Ai2) Não pode fugir a ela!

II
Tanto a desgraça me alcança,
Que já me sinto cansado
Da vida que não se cansa
(Ai2) De me fazer desgraçado.


Informação complementar:
Composição musical estrófica. Canta-se o 1.º dístico, repete-se, canta-se o 3.º verso, canta-se o 2.º dístico e repete-se o 2.º dístico.
Espécime gravado por Carlos Leal entre 1928-1929, acompanhado pelo Trio de Guitarras e Viola, constituído por Amândio Marques/Francisco Fernandes (gg) e Pais da Silva (v) no 78 rpm Parlophone B, B 33.300. A autoria da música é de Armando Goes, que a gravou em Outubro de 1928, acompanhado à guitarra por Albano de Noronha e Afonso de Sousa (Disco His Master’s Voice, E.Q. 192).
A 1.ª quadra é popular e encontra-se em variadíssimos cancioneiros, tais como “Mil Trovas Populares Portuguesas” e em António Tomás Pires, Leite de Vasconcelos e outros. A 2.ª quadra é do poeta João Silva Tavares, e encontra-se no livro “Quem Canta”, editado em 1923.
Este disco de Carlos Leal encontrava-se ainda em catálogo e à venda em 1946.
Tema gravado por António Bernardino em 1966, acompanhado à guitarra por António Portugal e Manuel Borralho e, à viola, por Rui Pato (EP Fados de Coimbra, Alvorada AEP 60817); está disponível em long play (LP Coimbra, Alvorada ALV-04-19 e LP Aquila, AQU 02-49) e em compact disc (CD N.º 45/O Melhor dos Melhores, Movieplay, MM 37.045 e CD Nº 30/Clássicos da Renascença, Movieplay, MOV. 31.030).
Gravado também por Victor Silva, em 1986, do Grupo Académico Serenata, do Porto: LP “Fados de Coimbra”, Orfeu, LPP 44.
Com um outro título e uma outra letra, foi gravado por Raul Dinis, acompanhado à guitarra por Jorge Gomes e António Ralha e, à viola, por Manuel Dourado, intitulado Um Fado (Ó vida, que mais queres), letra da autoria do cantor (CD “Coimbra de Sempre”, Discossete, DDD CD 971000, de 1993).

FADO DA DESCRENÇA
Incipit: Eu não creio por não crer
Música: autor não identificado
Letra: autor não identificado
Edição musical: desconhecemos a sua existência
Data da composição: década de 1920

I
Eu não creio por não crer,
Queria crer mas não consigo
E assim eu passo a descrer,
É para crer só contigo.

II
Podem descrente chamar
A quem pensa como eu…
Há estrelas a brilhar
Que não se vêem do céu.


Informação complementar:
Composição musical estrófica. Canta-se o 1.º dístico, repete-se, canta-se o 2.º e repete-se.
Gravado por volta de 1928-1929 por Carlos Leal, acompanhado à guitarra por Amândio Marques e Francisco Fernandes e, no violão, por Pais da Silva (disco Parlophone, B 33.0300, master 98029). Este disco de Carlos Leal encontrava-se ainda em catálogo e à venda em 1946. Desconhecemos se mais alguém teria gravado este fado.

UM FADO
Incipit: Passam-se noites inteiras
Música: autor não identificado
Letra: autor não identificado
Edição musical: desconhecemos a sua existência
Data da composição: década de 1920

I
Passam-se noites inteiras
Que me não posso deitar
E a lua já tem olheiras
De tanto me alumiar.

II
Já o luar, de mansinho,
No vento reza de dor,
Anda a pintar de branquinho
Na casa do meu amor.


Informação complementar:
Composição musical estrófica. Canta-se o 1.º dístico, repete-se, canta-se o 2.º e repete-se.
Gravado por volta de 1928-1929 por Carlos Leal, acompanhado à guitarra por Amândio Marques e Francisco Fernandes e, no violão, por Pais da Silva (disco Parlophone, B 33.0301, master 98030). Este disco de Carlos Leal encontrava-se ainda em catálogo e à venda em 1946.
Uma variante (Eu passo noites inteiras) da 1.ª quadra é cantada por Fernando Gomes Alves (EP Ofir, AM 4.068, 1966) no chamado Fado Antigo (Eu passo noites inteiras), cuja música é a do conhecido Fado Espanhol (Gosto de cantar o fado) gravado por António Menano. No 2.º verso da 2.ª quadra admitimos que a letra cantada por Carlos Leal não seja exactamente o que nos pareceu continuar a ouvir após múltiplas re-audições de estudo. Admitimos que este UM FADO possa ser o espécime que João Falcato diz ter ouvido Manuel Julião entoar na Sé Velha na Primavera/Verão de 1943 (Coimbra dos Doutores. Coimbra: Coimbra Editora, 1957, pág. 166).
Desconhecemos se mais alguém gravou este espécime.

FADO DA NOSTALGIA
Incipit: A vida é negra, tão negra
Música: autor não identificado
Letra: 1.ª quadra popular; 2.ª quadra de autor não identificado
Edição musical: desconhecemos a sua existência
Data da composição: década de 1930

I
A vida é negra, tão negra,
Como a noite nos pinhais
Mas é nas noites mais negras
(Ai2) Que as estrelas brilham mais.


II
Nesta vida de amargura,
Há tanta contradição…
Fumo negro sobe ao ar
(Ai2) Água pura cai no chão.


Informação complementar:
Composição musical estrófica. Canta-se o 1.º dístico, repete-se, canta-se o 2.º e repete-se.
Gravado por volta de 1928-1929 por Carlos Leal, acompanhado à guitarra por Amândio Marques e Francisco Fernandes e, no violão, por Pais da Silva (disco Parlophone, B 33.0301, master 98032). Este disco de Carlos Leal encontrava-se ainda em catálogo e à venda em 1946.
A 1.ª quadra (A vida é negra, tão negra) veio a ser incorporada em 1930 no Fado da Noite (A vida é negra, tão negra), música de Jorge de Morais (Xabregas), primeiramente gravado por Machado Soares em 1956 (EP Alvorada, MEP 60111).
Desconhecemos se mais alguém gravou este espécime.

FADO VISÃO
Música: autor não identificado
Letra: dados desconhecidos
Edição musical: desconhecemos a sua existência

Informação complementar:
Apenas conhecemos a existência do respectivo disco, o disco Parlophone, B 33.302, que ainda se encontrava em catálogo e à venda em 1946.

UMA CANÇÃO
Música: autor não identificado
Letra: desconhecemos a letra e respectiva autoria
Edição musical: desconhecemos a sua existência

Informação complementar:
Apenas conhecemos a existência do respectivo disco, o disco Parlophone, B 33.302, que ainda se encontrava em catálogo e à venda em 1946.

MINHA MÃE
Incipit: Minha mãe é pobrezinha
Música: indicada como “popular”
Letra: 1.ª quadra popular; 2.ª quadra de autor não identificado
Edição musical: desconhecemos a sua existência
Data da composição: década de 1920

I
Minha mãe é pobrezinha,
Não tem nada que me dar.
Dá-me beijos, coitadinha,
(Ai2) E depois põe-se a chorar!

II
Quem me dera minha mãe,
A santa que eu vi sofrer,
Dizem as santas no céu
(Ai2) Que morreu pra eu viver.


Informação complementar:
Composição musical estrófica. Canta-se o 1.º dístico, repete-se, canta-se o 2.º e repete-se.
Gravado por volta de 1928-1929 por Carlos Leal, acompanhado à guitarra por Amândio Marques e Francisco Fernandes e, no violão, por Pais da Silva (disco Parlophone, B 33.0303, master 98020). Este disco de Carlos Leal encontrava-se ainda em catálogo e à venda em 1946.
A 1.ª quadra ocorre também noutras melodias:
-Fado Triste (Minha mãe é pobrezinha), [na verdade Fado da Minha Mãe] gravado por António Menano, primeiro em Lisboa e depois em Berlim (discos Odeon, 136.822 e A 136.822 e LA 187.804), cuja música é de Alexandre Rezende;
-Fado Mondego (Minha mãe é pobrezinha), [na verdade Fado Espanhol] gravado pelo mezzo soprano D. Luísa Baharem, em finais de 1926 (disco Columbia, 1032-X, edição americana);
-D’Um Olhar (As meninas dos meus olhos), música de Alexandre de Rezende dedicada a António Menano, de que foi feita edição musical em 1915, mais conhecido por «As Meninas dos Meus Olhos», gravado por António Menano (discos Odeon, 136.821 e A 136.821). A referida quadra consta da edição musical impressa, mas não nas matrizes gravadas por António Menano.
Desconhecemos se mais alguém gravou este fado.

[FADO DE DESPEDIDA]
Título original: FADO DO MAR
Incipit: A despedida, no dia
Música: D. José Pais de Almeida e Silva (1899-1968)
Letra: autor não identificado
Edição musical: desconhecemos a sua existência
Data da composição: década de 1920
I
A despedida, no dia
Em que se faz de verdade,
É choro duma alegria
Que se transforma em saudade.

II
Que tristeza, que tormento
Sinto no meu coração!
Mocidade és qual o vento
Fugindo sem ter razão.


Informação complementar:
Canta-se o 1.º dístico, repete-se, canta-se o 2.º e repete-se.
Composição musical estrófica gravada por volta de 1928-1929 por Carlos Leal, acompanhado à guitarra por Amândio Marques e Francisco Fernandes e, no violão, por Pais da Silva (disco Parlophone, B 33.303, master 98021). Este disco de Carlos Leal encontrava-se ainda em catálogo e à venda em 1946.
A melodia é rigorosamente a mesma de FADO DO MAR (As ilusões que me perseguem), gravado em 1929 por Artur Almeida d’Eça, acompanhado por Albano de Noronha/Afonso de Sousa (gg) no disco de 78 rpm Polydor , P 42.127.

MELANCOLIA
Incipit: A saudade faz lembrar
Música: autor não identificado
Letra: 1.ª quadra de Domingos Garcia Pulido; 2.ª quadra de José Marques da Cruz
Edição musical: desconhecemos a sua existência
Data da composição: década de 1920

I
A saudade faz lembrar
A melopeia da nora,
Se a uns parece cantar,
Parece a outros que chora.


II
Nunca chores junto à nora
Que a corrente faz girar,
Quem chora ao pé de quem chora
Fica-se sempre a chorar.


Informação complementar:
Canta-se o 1.º dístico, repete-se, canta-se o 2.º e repete-se.
Composição musical estrófica gravada por volta de 1928-1929 por Carlos Leal, acompanhado à guitarra por Amândio Marques e Francisco Fernandes e, no violão, por Pais da Silva (disco Parlophone, B 33.0308, master 98022).
Ambas as quadras se cantam também, mas por ordem inversa, com o chamado Fado da Nora (Nunca chores junto à nora), de Armando Goes, cuja música é diferente.
Desconhecemos se mais alguém teria gravado este fado.

CANÇÃO DAS RENDILHEIRAS DE VILA DO CONDE
Incipit: Rendilheiras que teceis
Música: Carlos Alberto Leal
Letra: Artur Cunha Araújo
Edição musical: desconhecemos a sua existência
Data da composição: 1928

Rendilheiras que teceis
As finas rendas à mão,
Eu dou-vos, se vós quereis,
Pra almofada o coração.


Refrão
Ó vem à janela
Como a noite é bela,
Vem ver o luar;
Linda rendilheira
Deixa a travesseira,
Vem-me ouvir cantar.


Quem me dera, rendilheira,
Ser essa tua almofada
E passar a vida inteira
Em teu regaço, deitada.


Refrão
Ó vem à janela…etc.

Informação complementar:
Canção musical com refrão gravada entre 1928-1929 por Carlos Leal, acompanhado à guitarra por Amândio Marques e Francisco Fernandes e, no violão, por Pais da Silva (disco Parlophone, B 33.308, de 78 rpm).
Esta canção foi popularíssima em todo o Portugal, tendo conhecido assinalada difusão nos anos dourados da Emissora Nacional. Também foi popular em Coimbra na década de 1930, cidade onde era cantada por estudantes e populares.
Na década de 1960 foi gravada pelo tenor radiofónico Américo Silva, acompanhado à guitarra por Armandino Maia e António Parreira e, à viola, por J. M. de Carvalho e José Vilela (EP “Américo Silva canta Fados de Coimbra”, Estúdio, EEP 50.228, com a errada indicação de ser música de Ângelo Vieira Araújo).
Também foi gravada por João Queiroz sob o título Canção das Rendilheiras (EP “The Old Coimbra Fado III”, RCA Victor, TP-313 (ca. 1967), cantor que após fugaz passagem pelo grupo dos irmãos Plácidos se radicou em Lisboa; LP “Fados de Coimbra por João Queiroz”, RCA Camden, CL-40220, editado em 1981 e LP “Estrelas de Portugal”, RCA Victor LPV-7649, editado na Venezuela).
Nestes três discos figuram como autores os nomes de Manuel Tino e Hugo Rocha, supondo-se atribuição de letra de Manuel Tino e de música de Hugo Rocha. Num outro disco de João Queiroz figuram os nomes de Manuel Pino e Ugo Rocha (sic): LP “João Queiroz – Samaritana”, Interfase, IF 144, editado em 1987.
As autorias fornecidas por João Queiroz não se nos asseveram fiáveis. Tanto poderão ter sido indicadas pelo cantor Loubet Bravo (que estaria familiarizado com o tema desde a sua juventude portuense), como por frequentadores das casas de fados de Lisboa onde o cantor se movimentava.
“Canção das Rendilheiras” é considerada uma espécie de hino de Vila do Conde. Foi adoptada como hino oficial do Rancho da Praça (http://www.rancho-da-praca.com/paginas/FotoRendilheira.html), agrupamento que efectuou sucessivas gravações do tema em 1960 (EP “É isto Vila do Conde”, Alvorada), 1964, 1966, 1976, 1977, 1992, em vinil, cassetes e cd (http://www.rancho-da-praca.com/paginas/musicas1_mp3.html).

Pesquisa e texto: José Anjos de Carvalho e António M. Nunes
Agradecimentos: Dr. João Caramalho Domingues e José Moças (Tradisom), Dra. Isabel Cambezes (Ordem dos Advogados), Ordem dos Médicos (Arquivo Central), Casa da Beira Alta no Porto, Rosa Soares (Ordem dos Médicos)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Carlos Leal - caricatura

Caricatura de Carlos Leal no Livro dos Quintanistas de Medicina do Porto 1932-1933.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

"Tempos da fadistação..."

[Carlos Leal, Porto Académico, n.º único de 1938, pág. 12.]


Porto Académico, que mundo de recordações invoca este nome, já velho, dos tempos da fadistação despreocupada e irrequieta. Quanta saudade e tristeza vão desenrolando diante dos meus olhos esses tempos em que pertenci, pode dizer-se, à última geração dos veteranos, dos velhos blagueurs, impenitentes perseguidores dos caloiros recém-chegados e revestidos ainda da velha casca provinciana e também dos grandes orientadores das maiores organizações artísticas, desportivas e jocosas que até hoje a Academia soube realizar.

Desde a coroação do Orfeão e Tuna Académica por terras de Madrid e Galiza em que se glorificaram as figuras do Dr. Clemente Ramos e Dr. Modesto Osório, às inúmeras excursões por terras portuguesas onde brilhavam para uns e irritavam a outros as piadas do Sobrinho das Barbas, do Mendes, do Zé Moreira, do João Ribeiro; desde as peças teatrais do Mendo e do Fariñas, à Aranha Verde e outras revistas do Poeta Rabeta, do Perry, do Zeferino, com música do Alberto David, do Lucena Sampaio, do Álvaro Rodrigues e outros, desde os actores consumados até aos célebres grupos de Girls que arrebatavam as plateias. Desde aquele clássico bailado das horas dançado pelo grupo dos barbudos, àquele colossal bailado do Bravo ali no S. João que deixou estupefactos todos aqueles que minutos antes o tinham visto entre-cenas. Desde as primeiras organizações do Carnaval que enchiam a cidade de gente vinda de toda a parte, até àquele célebre roubo da macaca ali nos Lóios que depois de doutorada honoris causa foi entregue com toda a solenidade na varanda do antigo Hotel Rainha...[1] tudo isso passa ainda com saudade diante dos meus olhos. E aquelas célebres excursões de cursos a terras da Galiza pletóricas de alegria moça e garotices... Nunca consegui saber quem foi o autor da piada que obrigou o Bravo a arrancar o forro do boné de polícia com que desempenhava brilhantemente aquele papel na comédia os Suicidas, uma das peças do reportório da nossa tournée por terras galegas.

Depois o pano desceu... e os antigos actores passaram a ser engenheiros, médicos, advogados jornalistas, etc.

Mas saudade bem grande, sinto eu ao recordar aquelas serenatas a horas mortas pelas ruas da cidade com o Aires, o Viamonte, o Milheiros, o Zé Taveira, o Rogério, o Amândio Marques, o Pereira Leite e o Guerra, vulgo tenor de cabeça.[2] Ao lado das notas sentimentais, quantas cenas picarescas duma comicidade natural e espontânea, passam ainda nas minhas retinas. No regresso das serenatas e depois de tremendas touradas aos gatos vadios, onde surgiam diestros valorosos, íamos acabar a noite ali no Transmontano, organizando sessões fadológicas debaixo da orientação do velho Mouzão já de cabeleira toda branca, do tenente Simão e outros carolas do fado e da guitarra...

Depois o fado morreu... morreu com as grafonolas e com o rádio. E foi esta grafonoloterapia e radioterapia que, ministrada em tão altas doses, provocou a dispepsia e o enjoo a toda a gente.
..........................................................

Nunca mais se ouviu uma serenata... e aos meus ouvidos, chega ainda o eco da minha própria voz nas noites luarentas de há dez anos, para arrelia dos mestres e encantamento dos sonhadores e... das sonhadoras, como o ultimo boémio duma geração que passou.

Maio de 38

CARLOS LEAL






[1] Cf. os textos "Bons tempos" e "O rapto da macaca".

[2] É possível que este "Guerra, vulgo tenor de cabeça" fosse o "Guerra da Cabeleira" referido num episódio, contado anonimamente, e sem qualquer referência à data em que se terá passado, no Porto Académico, n.º único de 1962, p. 45:

E ASSIM SE PERDEU O CRÉDITO...

O Morais, dono duma casa de «bons petiscos» na Rua do Almada - casa muito frequentada, durante a noite, pela Academia de outros tempos - tinha a fama e... o proveito de deitar água no vinho. Sendo amigo da rapaziada e tanto assim que até fiava a... longo prazo, o Morais, que admitia todas as brincadeiras, não suportava, por princípio algum, que o acusassem de mixordeiro. Pobre daquele que se atrevesse, de cara, a acusá-lo da mistura!... Nunca mais lhe fiava.

Era certo e sabido que a boémia académica de então, de regresso de qualquer serenata, abancava ali a altas horas da madrugada e, certa vez, o Morais mostrou desejos de ouvir o «fadinho» defronte da sua porta. Os rapazes resolveram satisfazer-lhe a vontade e, numa madrugada de Janeiro, com o luar a bater em chapadas, o Morais tinha à sua porta uma serenata com quatro guitarras, dois violões, três tenores e grande acompanhamento da Academia.

Tudo correu muito bem e, para fechar a serenata, ecoou pelo espaço a voz tenorina do «Guerra da Cabeleira», num fado muito em voga:
O vinho é sangue de Cristo
Que nossas mágoas suaviza
E é, talvez, por causa disto
Que o Morais o baptiza...
Caiu Tróia... E o Morais cortou o crédito à Academia...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Carlos Leal
«O Rouxinol do Ave»

[Amândio Marques, Porto Académico, n.º único de 1962, págs. 44 e 46]


Já lá vão umas dezenas de anos, e o tempo passa sem dele se dar conta!... Tempos melhores, mais tranquilos e despreocupados, quiçá, mais felizes! Todos nós usávamos capa e batina, e a boa gente tripeira gostava de a ver e acarinhava-a, passando a ser um elemento decorativo da Cidade, e um cartão de visita e de entrada onde quer que se apresentasse! A vida decorria tranquila, simples, leal, cheia de franqueza nas relações comuns. Tínhamos a Associação Académica - escola de convivência e de oradores - o Orfeão e a Tuna e, não podia faltar, a nossa Imprensa. A estima e a amizade eram construídas e alicerçadas na sinceridade, alheios de todo em todo, a qualquer concorrência descortês ou egoísta. Tínhamos atravessado a Grande Guerra - 1914-1918 - e esse movimento sacudiu-nos profundamente, e mais nos aproximou para melhor nos compreendermos. Era como se fôssemos uma grande família! O estudante procurava manter e reforçar um costume, quer pela sua vida académica própria, quer e principalmente na realização das suas festividades - bem notáveis, vemo-lo agora mais do que nunca! - às quais fazia associar o povo portuense, a Cidade, e até o Norte, e criar assim uma tradição estudantil. E conseguiu-o. Passou a ser «o menino querido da cidade», pela sua graça inofensiva, esfuziante com seus «chistes» graciosos que provocavam íntima satisfação e o riso; as suas «partidas» tinham espírito, eram engraçadas, não molestavam e muito menos ofendiam ninguém, nem prejudicavam. Brincava-se sem atrevimentos, sem audácias, sem a prática de actos censuráveis ou condenáveis.

Muitos nomes me ocorrem, neste momento, e gostaria de os inscrever aqui, mas é impossível, tantos são! Limito-me a alguns e neles recordo-os a todos. Havia poetas como Carlos Cochofel - famoso autor de «Lírios» -, e Figueira Lopes; escritores teatrais como Adalberto Mendo, Augusto Farinas, Perry Garcia, Zeferino Moura, Tito Lívio de Santos Mota, Sousa Santos, Luís de Pina; «actores e piadistas» como João Ribeiro, António Mendes, Joaquim Bravo, Petronilho, José Moreira, Elísio Sobrinho, etc., etc.

Não faltavam guitarristas e cantores magníficos de fados e canções, como Aires Pinto Ribeiro, guitarrista exímio, Ernesto Brandão, Cícero de Azevedo, Manuel Pereira Leite e, dos mais modestos, o autor desta recordação. Óptimos cantores de fados e canções, «autênticos rouxinóis» como José Taveira, Mário Delgado Viemonte, Cabral Borges, Carlos Alberto de Carvalho, «O Passarinho», e Carlos Alberto Leal!

Tempo de existência gloriosa do Orfeão e da Tuna - a melhor da Península que tanta admiração causava! -, cujos tunos na sua maioria tocavam por sinais especiais, a chamada «música de carpinteiro», imaginada e classificada pelo saudoso regente Modesto Osório, e também pelo sapiente e bondoso regente do Orfeão, o Padre Clemente Ramos. Cultivando a Arte e a Camaradagem, a Tuna e o Orfeão levavam o bom nome da Cidade e de Portugal, através do País e da Espanha, em passeios triunfais! A arte e a graça irmanavam-se, e as amizades tornavam-se cada vez mais consistentes. José Taveira e Carlos Leal, eram os solistas admiráveis - sem favor e sem amabilidade - pela sua voz melodiosa, forte, encantadora e sentimental, do Orfeão e da Tuna. E eram, também, os cantores dos lindíssimos fados de então, que causavam a admiração e o encantamento a quem tinha a felicidade de os ouvir!
«Óh capas negras que andais
Ao luar pela noite fora...»
Carlos Alberto Leal veio de Vila do Conde, terra da sua naturalidade. Seu pai, e sua família, que eu conheci, era um músico e tinha uma bela voz. Carlos Leal, seu filho, ultrapassou-o. Veio frequentar o Liceu Rodrigues de Freitas, onde eu andava, e logo nos fizemos amigos até... à morte!

Carlos Leal
(Porto Académico, n.º único de 1962, pág. 46)

Carlos Leal, como era mais conhecido, Luís Canto Moniz, Josué da Silva, o autor desta recordação, formavam um grupo, cuja amizade com estes últimos vinha já de criança e se foi cimentando pela vida fora.

Em pouco mais o grupo aumentou - ou melhor, ele já existia - com mais unidade, com Francisco Fernandes, José Fernandes, outro escritor, Alberto de Serpa, escritor e poeta, Pereira Leite, outro guitarrista, Carlos Alberto de Carvalho «O Passarinho», de linda voz, cantava os fados com sentimento, Alberto do Carmo Machado, então Sargento Cadete, nosso saudoso companheiro para toda a parte, o António Abrantes, o «Abrantes do Cavaquinho», o Jorge Alcino Morais, etc. Ensaiávamo-nos nas guitarradas e fados. Carlos Leal cantava os lindíssimos fados e canções, na sua voz melodiosa, clara, aguda de um bom tenor,
Vão se abalando tão tristes
Meus olhos, por vós meu bem!
Que nunca tão tristes vistes
Olhos assim por ninguém!
As serenatas faziam-se em qualquer parte da cidade, e fora dela, em Braga, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Espinho, Viseu, Mangualde, etc., etc. E raro era conhecermos a «dona» para quem se cantava ou tocava!

Nenhuma autoridade nos interceptava. E as serenatas faziam-se às 2 e 3 horas da manhã, quando a cidade estava no primeiro sono! Mas toda a gente gostava, ao ouvir a voz de Carlos Leal, e ao ver o grupo de capas e batinas, que, silenciosamente, desprendiam os acordes sentimentais das suas guitarras, e a voz do Leal subia suavemente na atmosfera e se repercutia nos lados da rua, sem quebrar o silêncio do ambiente e interromper o sonho de quem estivesse a sonhar. E era um despertar de sonho. As janelas abriam-se, viam-se os roupões na semiobscuridade e silêncio que nos envolvia. Nas serenatas cantavam o Leal, e muita vez o José Taveira e Cabral Borges. Era eu, quem ia ao então Comissário da Polícia, o saudoso desembargador dr. Lopes Carneiro, pedir a devida autorização. «Dá-me licença sr. dr.». - Eu sempre de capa e batina - nunca conheci outro traje - solicitava-lhe a licença. Quando me via entrar, já sabia... conhecia-me já há muito, e era velho amigo de meu saudoso Pai.

«Que queres, ó Marques? já sei, tens serenata, onde é?»
Trim, trim trim, está? Faça favor de transmitir para a área de... que os estudantes com o Marques e o Leal vão fazer uma serenata, para que não sejam interrompidos!. «Pronto, vai-te embora».

E outras vezes dizia-me: - «Olha, ó Marques, eu vou dar-te uma licença para sempre». E a serenata ou serenatas faziam-se perante a presença da patrulha a cavalo da Guarda Nacional Republicana que à distância parava a ouvir, e tanta vez com os guardas de giro!

Em pouco mais, tínhamos uma assistência numerosa que nunca mais nos largava! E os nossos nomes andavam em todas as bocas, especialmente femininas, da cidade. Terminada a serenata, cada um ia para sua casa, depois de uma belíssima noite, bem passada, sem o menor atrito para quem quer que fosse, e todos gostavam deste romântico espectáculo nocturno! Belíssimos tempos! A voz e o sentimento que Carlos Leal imprimia aos seus fados, eram cada vez, e de ano para ano, melhor e mais expressivos, cantando com mais alma! Era o solista do Orfeão e da Tuna, alternando por vezes com Mário Delgado - um Artista! - e Modesto Osório, seu regente, compôs expressamente para o Leal «A Tua Serenata», que a Tuna tocava num ambiente de luz luarenta. E, Carlos Leal, cantava
«É tão tarde e eu ainda aqui»
cuja voz dominava o acompanhamento feito pela Tuna. Era um assombro! Repetida várias vezes, em qualquer palco onde fosse executada! no Porto, em Coimbra, no País, na Espanha! Carlos Leal era o ídolo da Academia do nosso tempo, uma maravilha ouvo-lo cantar. Era um dos maiores cantores de Portugal! Eu conhecia-os, e alguns acompanhei à guitarra. Por iniciativa dos estudantes que do Porto foram para a Universidade de Coimbra, como eu, foram o Orfeão e a Tuna Académica do Porto convidados a ir àquela cidade. Foi uma apoteose! Nada gastaram, foram aboletados nas «Repúblicas» e em casa de cada um. Os recitais constituiram um triunfo de artístico e de camaradagem. Carlos Leal e outros «artistas académicos» tiveram ali a sua consagração, em Coimbra, terra única de cantores e de Orfeão!! A «Canção das Rendilheiras» que Carlos Leal cantou acrescentou-lhe o triunfo! Esta lindíssima canção constituiu depois o «Hino» do seu Curso, cantado sempre nas suas reuniões.

Carlos Leal deu fama à Academia do nosso tempo, e mais prestigiou-a em tudo, no Orfeão, na Tuna, nos Fados e Guitarradas, sem pôr de parte a sua vida de estudante distinto da Faculdade de Medicina, em que se formou.).[1]

E cantava no seu último ano,
«Oh, capas negras que andais
«Ao luar pela noite fora,
«Adeus, adeus nunca mais...»
«Vos posso usar, vou-me embora!»
Acompanhado à guitarra por mim e por Francisco Fernandes - hoje distinto Médico Cirurgião em Moçambique - e viola Pais da Silva, Carlos Leal gravou diversos discos que, em breve, se esgotaram, como a famosa «Canção das Rendilheiras», e outros.[2] Nunca deixava de colaborar nas «Revistas», nos «Cortejos», nos espectáculos que a Academia organizava, em todos com papel de destaque. Era estimado e admirado por todos, pelo seu temperamento, bondade, simples e modesto, sempre bem disposto e amável, satisfazendo sempre os pedidos de serenatas, ou a sua colaboração em qualquer festa, mesmo particular. Mais tarde associa-se ao nosso grupo, outro bom cantor de fados, D. Manuel Távora, fidalgo e amigo fiel, que nos acompanhava e cantava os seus fados que muito apreciávamos.

Canto Moniz, apesar da sua grande aspiração de ser marinheiro, depois de cursar na Faculdade de Ciências os preparatórios para a Escola Naval, deu novo rumo ao seu futuro e, então, matriculou-se em Medicina. Estudante distintíssimo, no termo da sua brilhante formatura, a Faculdade reconheceu-lhe, aliás com inteira justiça, os seus méritos e não hesita em nomeá-lo assistente. No entanto, Carlos Leal forma-se também em Medicina, e ambos vêm para a vida prática, a profissão liberal, a luta... Ambos ilustraram a Universidade, a Faculdade de Medicina, e ambos passaram a caminhar juntos na luta pela vida. O Leal era o braço direito de Canto Moniz.[3] A mesma estima e amizade fraternal que nos unia, manteve-se inalterável, e manteve-se até ao desaparecimento, que tanta saudade deixou, de Carlos Leal!! O trinar do «Rouxinol do Ave» deixou de se ouvir em 9 de Abril de 1960! Na pujança da vida! Este belo rapaz, leal no nome e nos actos da sua vida, íntegro carácter, profissional distintíssimo, doente, desgostoso, sofrendo a perda da sua encantadora mulher, falecida oito meses e poucos dias antes, que ele tanto adorava, morre apaixonadamente como um romântico, um sentimental, pelo seu temperamento e formação psicológica, deixando-nos um vácuo e profunda saudade!

Canto Moniz, brilhante cirurgião portuense, perdeu um prestimoso colaborador, e ambos nós o querido amigo de sempre, de amizade fraternal, como se três irmãos fôssemos!

A sua melodiosa voz que tanto ecoou pela cidade, deixou de se ouvir, mas no silêncio da noite parece ouvir-se, ainda:
«Adeus, adeus nunca mais
«Vos posso usar, vou-me embora!»
E enquanto me passa pelo pensamento a imagem daquelas capas
«Óh capas negras que andais»
«Ao luar pela noite fora»
como que a quebrar a monotonia do silêncio, é nesse silêncio luarento, de tanta e tanta saudade e recordação, que aqui deixo a minha modesta homenagem e de saudade de Carlos Alberto Leal, um dos estudantes que mais prestigiou a academia do nosso tempo!


Janeiro de 1962
AMÂNDIO MARQUES






[1] "Estudante distinto" é um pouco exagerado: tendo-se matriculado no primeiro ano em 1924-1925 (Anuário da Fac. Med. Porto, vol. XIV), Carlos Leal deveria ter terminado o curso em 1929; no entanto a sua caricatura aparece no Livro de Quintanistas de Medicina do Porto 1932-1933.

[2] Pelo menos cinco discos para a Parlophon:
B33300 - Fado Alemtejano ("Fechei a porta à desgraça") / Fado da Descrença ("Eu não creio por não crer");
B33301 - Um Fado ("Passam-se noites inteiras") / Fado da Nostalgia ("A vida é negra, tão negra");
B33302 - Fado Visão (?) / Uma Canção (?);
B33303 - Minha Mãe (Fado) ("Minha Mãe é pobrezinha") / Fado de despedida ("Uma despedida no dia");
B33308 - Melancolia ("A saudade faz lembrar") / Canção das rendilheiras de Vila do Conde ("Rendilheiras que teceis").
Acrescente-se que Amândio Marques também gravou pelo menos dois discos de guitarradas, igualmente para a Parlophon, e igualmente com o acompanhamento de Francisco Fernandes e Pais da Silva:
B33016 - Variações em ré menor / Fado em lá maior;
B33017 - Fado em dó sustenido menor / Capricho.

[3] Luís Canto Moniz era cirurgião, e Carlos Leal era (creio) anestesista.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Discos de vinil de Fado de Coimbra gravados no contexto académico portuense

Apresento abaixo uma lista dos discos de vinil de Fado de Coimbra que foram gravados por estudantes ou antigos estudantes da Universidade do Porto nessa condição[1].
O artigo de Armando Luís Carvalho Homem, "O «Fado de Coimbra» na Academia do Porto" contém informações sobre os intervenientes nestas gravações.
Tanto quanto sei, esta lista é exaustiva. Mas agradeço quaisquer acrescentos ou outras correcções.

Coloquei a negrito os temas "originais" (isto é, aqueles que, tanto quanto sei, tiveram nesse disco a sua primeira gravação).

Para as correcções de autorias socorri-me das informações publicadas por António Nunes e Cor. Anjos de Carvalho nos blogues Guitarra de Coimbra (Parte I, Parte II, Parte III e Parte IV) de Octávio Sérgio.

Dr. José Santana - Coimbra (c. 1962)
Alvorada AEP 60423

Dr. José Vitorino Santana (c)
Lauro de Oliveira (g)
Dr. Fernando Barbos (g)
Ernesto Almeida (v)

  • BALADA DE ENCANTAMENTO (Balada do Encantamento, "Dentro de ti, ó Leiria")
    [M: D. José Pais de Almeida e Silva]
  • QUINTO ANO MÉDICO (Fado de Despedida do V Ano Médico de Coimbra de 1937-38, "Foram-se as fitas doiradas")
    [M/L: João Gonçalves Jardim]
  • PASSARINHO DA RIBEIRA (Fado dos Passarinhos, "Passarinho da Ribeira")
    [M: António Menano / L: D.R.]
  • FADO DO MANASSÉS ("Trago comigo um pecado")
    [M: Manassés de Lacerda / L: ?]
(V. tb. as entradas Fotobiografia de José Vitorino Santana e O EP Coimbra de José Vitorino Santana neste blogue.)


Conjunto Universitário de Guitarras (1965)
Orfeu ATEP 6187

Nuno Morgado (c)
José Carlos Agrelos (g)
Manuel Botelho Chaves (g)
Beirão Reis (v)

  • MAR ALTO ("Fosse o meu destino o teu")
    D.R. [na verdade, M: Mário Faria da Fonseca / L: Edmundo Bettencourt]
  • FADO SAUDADES ("Ter saudades é viver")
    M: Paulo de Sá / L: Alfredo Fernandes Martins
  • BALADA AO LUAR ("Ó rouxinol encantado")
    M/L: Manuel Gil Mata
  • FOLHA CAÍDA ("é como a folha caída")
    D.R. [?]


Conjunto Universitário de Guitarras - Fados (1966?)
Orfeu ATEP 6218

Nuno Morgado (c)
José Carlos Agrelos (g)
Manuel Botelho Chaves (g)
Beirão Reis (v)

  • SUGESTÃO ("Não digas não, dize sim")
    Dr. António Menano [na verdade, M: Alexandre de Rezende / L: Edmundo Bettencourt?]
  • O TEU OLHAR ("É tão lindo o teu olhar")
    D.R. [na verdade, M: Flávio Rodrigues? / L: 1ª quadra - popular, 2ª quadra - José Simões Dias]
  • CANÇÃO DA BEIRA ("Dava a vida de bom grado")
    Dr. António Menano [na verdade, L/M: populares]
  • CATIVEIRO ("O sol-pôr é a hora da saudade")
    M/L: Eng. Manuel Gil Mata


Orfeão Universitário do Porto - Sarau Comemorativo do 60º Aniversário 71/2 (1973)

Ainda não consegui ver/ouvir este LP; a informação abaixo é retirada da página do OUP e de um artigo de A. L. Carvalho Homem no blogue Guitarra de Coimbra ("Dois guitarristas portuenses que nos deixam", 26/3/2005).
Trata-se de um LP com uma selecção de momentos do sarau indicado no título. Três das 11 faixas são de fados e guitarradas.
  • VARIAÇÕES EM LÁ MENOR (n.º 1)
    M: Artur Paredes
    António Rosa de Araújo (g), Serafim Guimarães (g), Fernando Reis Lima (v), José Alão (v)
  • ÁGUA DA FONTE
    Óscar França (c), António Rosa de Araújo (g), Serafim Guimarães (g), Fernando Reis Lima (v), José Alão (v)
  • FADO TRISTE


Dr. J. Tavares Fortuna - Fados de Coimbra (fui moço, fui rapaz) (1981)
Roda SSRL 9006
(Também editado em cassete: Roda CSR-193)

Dr. J. Tavares Fortuna (c)
Dr. Melo e Castro (g)
Dr. João Lamego (g)
Dr. Agostinho de Matos (v)
Dr. Rui de Brito (v)

  • FUI MOÇO, FUI RAPAZ ("Fui moço, fui rapaz")
    D.R.
  • FADO ALENTEJANO ("Fechei a porta à desgraça")
    Dr. Armando Gois [na verdade, M: Armando Goes / L: 1ª quadra - popular, 2ª quadra - João da Silva Tavares]
  • AVÉ MARIA (Rezas à noite, "No nosso Portugal é uso antigo")
    Dr. José A. Pais e Silva / Dr. Marques da Cruz [na verdade, M: José Augusto Coutinho de Oliveira / L: José Marques da Cruz]
  • VALSA EM RÉ
    M: Dr. João Lamego
  • CANÇÃO DAS FOGUEIRAS ("Raparigas de Coimbra")
    Popular
  • CANÇÃO DA BEIRA ("Dava a vida de bom grado")
    Dr. António Menano [na verdade, L/M: populares]
  • FADO DA SAUDADE ("Saudade é como gostar")
    M: Dr. João Lamego / L: Dr. Agostinho de Matos
  • TROVA DO VENTO QUE PASSA ("Pergunto ao vento que passa")
    M: Dr. António Portugal / L: Manuel Alegre
  • VARIAÇÃO N.º 1 EM LÁ MENOR
    M: João Bagão
  • CAPA NEGRA, ROSA NEGRA ("Capa negra, rosa negra")
    M: Dr. António Portugal e Adriano Correia de Oliveira / L: Manuel Alegre
  • MÁGOAS DE AMOR ("Cautela, não te aborreça")
    Dr. Raposo Marques
  • VARIAÇÃO EM LÁ MENOR
    M: Dr. Jorge Tuna, arr.: Dr.Melo e Castro


Dr. J. Tavares Fortuna, Dr. António Rodrigues - Fados de Coimbra 2 (1982)
Roda SSRL 9007
(Também editado em cassete: Roda CSR-232)

Dr. J. Tavares Fortuna (c) *
Dr. António Rodrigues (c) **
Dr. João Lamego (g)
Joaquim Rodrigues (g)
Dr. Agostinho de Matos (v)
Dr. Rui de Brito (v)

  • REGRESSO AO PASSADO ("Vou regressar ao passado") *
    Dr. João Lamego / Dr. Tavares Fortuna
  • MARIA (Fado do Alentejo, "Maria, teu lindo nome") **
    D.R. [na verdade, M: António Menano / L: 1.ª quadra - António de Sousa, 2.ª quadra - António Menano]
  • ROSAS BRANCAS ("Quando eu morrer, rosas brancas") *
    Dr. A. de Sousa [na verdade, M: ? / L: 1.ª quadra - Afonso de Sousa, 2.ª quadra - ?]
  • VARIAÇÕES EM RÉ MENOR
    M: Dr. Almeida Santos
  • FADO CORRIDO DE COIMBRA ("Coimbra, rio Mondego") **
    Popular [M: popular / L: 1.ª e 2.ª quadras - populares, 3.ª quadra - Armando Cortes Rodrigues]
  • FADO DO ESTUDANTE ("Fecha os olhos de mansinho") *
    Dr. Fernando Machado Soares [na verdade, M: Fernando Machado Soares / L: ?]
  • BALADA DO ENTARDECER ("Ó Mondego, ó Mondego") **
    Dr. Fernando Machado Soares
  • FADO PARA UM AMOR AUSENTE ("Meu amor disse que eu tinha") *
    M: Dr. António Portugal / L: Manuel Alegre
  • SÉ VELHA ("Adeus, Sé Velha saudosa") **
    M/L: Dr. Carlos de Figueiredo
  • BALADA DE FLORÊNCIO ("Lá longe, ao cair da tarde") *
    M/L: Florêncio de Carvalho
  • BALADA DA DESPEDIDA DO 6.º ANO MÉDICO, 1958 ("Coimbra tem mais encanto") **
    M/L: Dr. Fernando Machado Soares


Grupo Académico Serenata - "Fados de Coimbra" (1986)
Orfeu LPP 44

Dr. Pais da Rocha (c) *
Victor Silva (c) **
Dr. Luís Paupério (c) ***
Dr. Carlos Teixeira (c, v) ****
Eng. Cunha Pereira (g)
Jorge Carvalho (g)
Arnaldo Brito (v)

  • MEIA NOITE AO LUAR ("À meia-noite ao luar") coro
    Popular
  • UM FADO DE COIMBRA ("Nossa Senhora da Graça") *
    Paulo de Sá [na verdade, M: Paulo de Sá, L: popular]
  • VARIAÇÃO EM MI MENOR
    M: Jorge Tuna
  • ESTRELINHA DO NORTE ("Ó estrelinha do Norte") **
    João Jardim [na verdade: M: João Gonçalves Jardim / L: 1.ª quadra - popular, 2.ª quadra - Ângelo Vieira Araújo], arr.: "Tio Lauro" (Lauro de Oliveira)
  • FADO DO ESTUDANTE ("Fecha os olhos de mansinho") ***
    Fernando Machado Soares [na verdade, M: Fernando Machado Soares / L: ?]
  • BALADA DA TRISTEZA ("Tudo que é triste no mundo") *
    M: Raul Barros Leite / L: Popular
  • BEIJO ("À minha amada na praia") **
    Dr. António Menano [na verdade, M: Ruy Coelho / L: Afonso Lopes Vieira]
  • FASES DA LUA ("O amor é como a Lua") ****
    Dr. António Menano [na verdade, autor(es) desconhecido(s)]
  • FADO ALENTEJANO ("Fechei a porta à desgraça") **
    Dr. Armando Goes [na verdade, M: Armando Goes / L: 1ª quadra - popular, 2ª quadra - João da Silva Tavares]
  • VARIAÇÃO EM RÉ MENOR
    M: Armando Carvalho Homem
  • MARIA ("Maria, teu meigo olhar") *
    Dr. Gomes da Silva
  • BALADA DE COIMBRA
    M: Popular [na verdade, José Eliseu], arr.: Artur Paredes






[1] Explico-me: há diversos discos gravados por estudantes ou antigos estudantes de Coimbra que, por acaso, também estudaram no Porto (alguns tendo até tido actividade como intérpretes de Fado de Coimbra no Porto), mas discos gravados num contexto coimbrão - o exemplo máximo é o da discografia de António Pinho Brojo, que concluiu a licenciatura em Farmácia na Faculdade de Farmácia do Porto (quando a Universidade de Coimbra tinha apenas uma Escola Superior de Farmácia) e que colaborou nessa altura com o Orfeão Universitário do Porto, mas que gravou sempre acompanhado por colegas de Coimbra.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O EP Coimbra de José Vitorino Santana

O texto de António Nunes publicado aqui há uns dias, sobre a Fotobiografia de José Vitorino Santana, mencionava o EP que este gravou pelo início dos anos 60.
Apresento abaixo a capa e contracapa deste disco.




A título ilustrativo, deixo aqui também a segunda faixa, Quinto Ano Médico - ou seja, Fado de Despedida do V Ano Médico [de Coimbra] de 1937-38.