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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Dois documentos sobre o uso da capa e batina no Porto em 1929 e 1930

Interrompo o longo silêncio neste blogue para dar a conhecer dois interessantes documentos sobre o uso da capa e batina na passagem dos anos 20 para os anos 30 que encontrei nos últimos meses.

Começo por uma fotografia retirada da revista brasileira Lusitania ("revista illustrada de approximação Luso-Brasileira e de propaganda de Portugal"), n.º 36, de 16 de Julho de 1930. A fotografia aparece inserida numa reportagem fotográfica, por José Mesquita, sobre uma iniciativa de caridade realizada no Porto, a "Venda da Flor". Aí vêem-se dois estudantes de capa e batina (clicar para ampliar a imagem, de forma a distinguir o estudante em segundo plano, com a capa no ombro direito). Na respectiva legenda lê-se "Maria Thereza, odorifero cravo dos jardins do Porto, “cravando” um pobre academico".

O que tem esta fotografia de fora do comum? Simplesmente, e não é pouco, a espontaneidade.
A esmagadora maioria das fotografias antigas em que aparecem estudantes do Porto de capa e batina são fotografias de pose: retratos tirados em estúdios fotográficos, fotos de curso ("os quintanistas de Medicina do ano x"), fotografias institucionais da tuna ou orfeão; na melhor das hipóteses, temos fotos tiradas durante alguma excursão ou digressão de um grupo académico. Por muito interessantes que sejam, as fotos de pose transmitem pouca informação sobre o uso quotidiano do traje académico.
Na foto apresentada aqui, pelo contrário, vemos dois estudantes surpreendidos em plena baixa, possivelmente a caminho ou à saída das aulas, usando o traje académico de forma descontraída. Capa ao ombro num caso, segura no antebraço no outro. O estudante em primeiro plano traz uma boina[1].

O segundo documento é uma verdadeira preciosidade.
Trata-se de um filme, preservado na Cinemateca Portuguesa, sobre uma excursão de alunos do Liceu Alexandre Herculano em 1929. (Clicar para abrir a página da Cinemateca com o filme; não consegui encaixar ["embed"] directamente o vídeo.)
Duas notas: o filme parece montado aleatoriamente, e não por ordem cronológica; um mapa com as localidades visitadas pode ser visto aos 9m34s.
De realçar a grande implantação da capa e batina no Liceu Alexandre Herculano nesta época.
Quanto aos pormenores no seu uso que fogem aos cânones praxísticos do séc. XXI, dariam panos para mangas...






[1] Embora possa ser surpreendente para alguns, não é inédito - conheço fotografias de uma excursão da Tuna em 1932 em que um dos elementos usa boina; e o antigo dux veteranorum Flávio Serzedello contou-me em conversa nos anos 90 que no seu tempo (anos 40 a 60) havia no Porto quem usasse boina com capa e batina - ao contrário do gorro, que não era usado.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O Traje Académico em Coimbra
I - O Antigo Regime

Ao contrário do que possa pensar-se, a Universidade de Coimbra-Lisboa[1] não teve um uniforme instituído desde o princípio, nem para os estudantes, nem para os professores. Não significa isto, no entanto, que o seu vestuário não estivesse regulamentado, antes pelo contrário. Na Idade Média, e em parte até ao Liberalismo, o peso do gosto individual na forma de vestir era muito menor do que actualmente: a indumentária devia reflectir claramente o lugar de cada indivíduo na ordem social.[2] Assim, o vestuário dos elementos da Corporação Universitária tinha que espelhar de alguma forma a pertença a essa corporação. Havia, por um lado, diversas limitações oficiais a esse vestuário, de forma a torná-lo sóbrio, decente, e a impedir que colidisse com os privilégios e características próprias dos trajes de outros elementos da sociedade (certas cores e certos tecidos, por exemplo, estavam reservados a determinados estatutos sociais).

Nos Estatutos de 1431, D. João I mandou que
"magistri et doctores euntes ad legendum vel ad quoscunque allios actus scollasticos vel per modum universsi incedant in aparatu in generali sive doctoralli et legentes licenciati et bachalarii in habitu honesto ad minus tallari et ceteri scollares honesti saltim usque ad mediam tibiam";[3]
("os mestres e doutores indo a leccionar ou a quaisquer outros actos escolares ou [que estejam] dentro dos limites da universidade andem em aparato geral ou doutoral e os lentes [i. e., docentes] licenciados ou bacharéis em hábito honesto ao menos talar [i. e., até aos tornozelos] e os outros escolares [em hábitos?] honestos, pelo menos até à meia perna.")[4]

D. Manuel I, por volta de 1503,
"que os escolares [...] andem honestamente vestidos e calçados, scilicet [isto é] não tragam pelotes, nem capuzes, nem barretes, nem gibões vermelhos nem amarelos nem verde-gaio, nem cintos lavrados de ouro";[5]

D. João III, na Ordenança para os estudantes da Universidade de Coimbra, de 1539:
"[...] toda pessoa de qualquer qualidade e condição que seja que por bem de minha ordenação da defesa das sedas a pode trazer [...] a não possa trazer [...] enquanto na dita universidade estudar [...]
Nem poderão os sobreditos nem outros alguns estudantes trazer barras nem debruns de pano em vestido algum.
Nem isso mesmo poderão trazer vestido algum de pano frisado.
Nem poderão trazer barretes doutra feição senão redondos.
E assim hei por bem que os pelotes e aljubetas que houverem de trazer sejam de comprido três dedos abaixo do joelho ao menos.
E assim não poderão trazer capas algumas de capelo; somente poderão trazer lobas abertas ou cerradas; ou mantéus sem capelo.
Item não trarão golpes nem entretalhos nas calças. Nem trarão lavor branco; nem de cor alguma em camisas nem lenços";[6]

e D. João IV, nos Estatutos de 1653 (chamados Estatutos Velhos):
"1º-Os estudantes andarão honestamente vestidos, sem seda alguma: mas poderão trazer os chapéus e barretes forrados, e colares dos mantéus e guarnições de sotainas por dentro: e nas camisas não trarão abanos, senão colares chãos sem feitio de rendas, nem bicos, nem trancinhas, nem de outras guarnições semelhantes, sob pena de dous mil reais, pagos da cadeia, a metade para a Confraria, e a outra para quem o acusar. E não trarão em nenhum vestido de sotaina, calças ou pelotes, as cores aqui declaradas: amarelo, vermelho, encarnado, verde, laranjado, sob pena de perderem os ditos vestidos [...] E porém debaixo das sotainas poderão trazer gibões, ou jaquetas de panos de cores, para sua saúde: contanto que os colares não sejam mais altos que os das sotainas, nem as mangas mais compridas: e poderão outrossim, debaixo das botas ou borzeguins trazer meias calças de cores bem cobertas: e em casa, ou pelas ruas, onde pousarem, poderão trazer roupões de cores, contanto que não sejam das acima proibidas [...]
2º-Não poderão trazer barretes de outra feição, senão redondos, ou de cantos; nem carapuças, senão os que trouxerem dó, no tempo limitado, ou pelas pessoas que o podem trazer [...] E os mantéus, que houverem de trazer, serão compridos, ao menos até ao artelho.
3º-Não trarão capas de capelo cerrado, e trarão mantéus de colar ou de capelos abertos. Porém os criados de estudantes poderão ir ouvir às Escolas com pelotes e ferragoulos, e chapéus, e colares de abanos nas camisas, chãos, que não passem de dous dedos. E os estudantes pobres poderão trazer o mesmo trajo: tirando os colares das camisas de abanos.
4º-Não trarão golpes, nem entretalhos que se vejam em algum vestido, nem piques, golpes, botões ou fitas em botas, ou sapatos [...]".[7]

Por outro lado, a Universidade estava intimamente ligada à Igreja, era efectivamente uma instituição eclesiástica, e uma grande parte dos estudantes e mestres eram clérigos. É pois natural que os universitários adoptassem uma maneira de vestir eclesiástica. António Nunes (em "Subsídio...", págs. 405-406) dá-nos uma caracterização do vestuário dos estudantes de Coimbra nos séculos XVI e XVII:
"Loba ou Sotaina, decorada à frente, de alto a baixo, com uma fileira de pequenos botões, abotoada pelas costas com botões ou cordeis, a qual descia até à meia perna; uma Capa com gola e alamares ou cordão de borlas; um Barrete arredondado ou de cantos; Calção sem entretalhos ou golpes, meias e Botas ou Borzeguins. Os estudantes colegiais [8] traziam os Hábitos das respectivas Ordens, salvo os dos Colégios seculares de S. Pedro e S. Paulo que tinham um Hábito semelhante aos escolares colegiais de Salamanca [...]. Este Trajo usado nas Faculdades também era extensivo aos Lentes, ressalvando-se apenas o pormenor de a Sotaina dos Mestres chegar ao calcanhar, enquanto a do estudante chegava à meia perna. Através dos Estatutos de 1653, dados por D. João IV, ficamos a saber que nesta época ainda se usavam barretes redondos ou de cantos para cobrir a cabeça e não o Gorro comprido, o qual se começou a trazer mais tarde, talvez nos começos do século XVIII. Estes Estatutos conferem ao estudante liberdade para trazer debaixo da Batina coletes e camisas, só mais tarde se tornando obrigatório o costume de envergar Volta Branca e Cabeção Negro [...]."

As lobas dos colégios eram de cores variadas (dentre as que não eram proibidas, claro): em Todos os Santos usavam o pardo, em S. Miguel roxo escuro, em S. Paulo castanho escuro, etc. Mas o preto viria a dominar.[9]

Pormenor de uma gravura holandesa (de George Braun & Franz Hogenborg) de 1572, sobre Coimbra. Parece representar dois escolares – estudantes ou professores. Será o único documento iconográfico sobre o traje académico de Coimbra no século XVI. (Extraído de António Correia, “Subsídios para o estudo do trajo dos estudantes de Coimbra”, Rua Larga, n.º 5 (16/10/1957), pág. 133).

Desta forma, no seu início, o objectivo principal do Traje Académico, não era, como muitas vezes se diz, igualizar os estudantes, mas antes fazer distinguir os académicos na sociedade.[10] A igualização entre estudantes acontecia (até certo ponto) porque, vindo estes de estatutos sociais (isto é, lugares na sociedade) diversificados, deviam convergir na posição académica.

Apesar da falta de uniformização, os estudantes eram obrigados a usar alguma forma de traje académico.[11] De notar que essa obrigatoriedade era permanente, nas aulas ou fora delas, dentro da cidade de Coimbra (território académico).[12]

É possível que no início do século XVIII a maioria dos estudantes (não colegiais) já tivesse convergido para uma mesma forma de traje académico - embora essa forma estivesse dependente de flutuações de moda. Isto é o que se depreende de uma passagem de António Ribeiro Sanches, estudante em Coimbra de 1716 a 1719, nos "Apontamentos para fundar-se uma Universidade Real" (1761):
"até o ano 1718, o vestido dos estudantes da Universidade de Coimbra era uma loba de baeta com capa, que custava 7200 r. até 9600 r. Neste ano veio de Lisboa a moda da abatina, e vem a custar este vestido de crepe ou de pano de 25000 r. até 30000 r."[13]
Qual a diferença entre a loba com capa e a abatina? Segundo o Vocabulario Portuguez e Latino (10 vols., 1712-1728) do P. Rafael Bluteau, a loba era uma
"Vestidura eclesiástica, clerical e honorífica, que chega até o chão, cortada de maneira que nela entram os braços; dela usam também os bedeis da Universidade [...]"
e
"Andar à Abatina. É andar no trajo dos abades seculares de França ou de Itália, com vestido de seda negra, capa curta, volta singela e cabeleira pequena."[14]
Estas descrições não serão muito esclarecedoras, mas parecem sugerir: 1 - que a loba seria mais comprida, mas a abatina de tecido mais caro; 2 - que a abatina foi inicialmente uma moda de influência estrangeira, e mais precisamente de além-Pirinéus. Note-se além disso que a abatina não era uma peça de vestuário, mas sim uma forma de vestir, que incluía uma capa e um vestido que mais tarde se chamaria túnica; ainda mais tarde, esta túnica chamar-se-ia "batina", por simplificação de "abatina".

Segundo António Nunes,
"a loba era uma veste acentuadamente comprida, constituída por dois corpos sobrepostos [...]
A sotaina interna, ou veste talar de baixo, comporta[va] mangas e sistema de abotoadura dianteiro em trespasse. A veste exterior, também conhecida por chamarra, chimere, zimarra, garnacha, [era] uma toga de mangões fendidos [ou despojada de mangas], estolas frontais e cabeção dorsal alongado, podendo comportar debruns variados. [...]
Grande parte do seu peculiarismo radicava no formato cónico da sotaina, que era de enfiar pela cabeça. Para que a entrada e saída da cabeça e dos braços ocorresse sem obstáculos, a sotaina alargava muito dos ombros para a meia perna, sendo ajustável no colarinho graças a um dispositivo de cordões semelhante ao do corpete que era aplicado na zona da coluna vertebral."[15]

Em 1772 a Universidade de Coimbra sofreu uma importante reforma (Reforma Pombalina), tendo recebido novos Estatutos. Os Estatutos de 1772 eram, no entanto, incompletos - (re)organizavam as faculdades, mas pouco diziam sobre a organização central da universidade; e por uma Carta Régia de 5 de Novembro de 1779 ficou explícito que os Estatutos Velhos de 1653 continuavam em vigor naquilo em que não tivessem sido revogados. Assim, sobre o enquadramento legal do traje dos estudantes, pouca ou nenhuma novidade. Os novos Estatutos apenas referem que, para se matricular,
"se apresentará cada Estudante em sua própria pessoa, vestido de hábito de Estudante, que seja decente" (Livro II, Título I, Capítulo IV, §39).
Não há normas legais sobre como deveria ser este hábito de estudante, mas existe uma descrição, pouco posterior, dos seus constituintes habituais. Na edição de 1791 da Macarronea Latino-Portuguesa (o conjunto de textos conhecido como Palito Métrico), vem incluída a "Economia Escolástica - segunda parte do Sábio em Mês e Meio", de António Castanha Neto Rua, que acerca do Traje Académico diz entre outras coisas o seguinte:
"Todo o cidadão que se condecora com o título de homem de bem, para decentemente aparecer no meio dos outros, carece para seu adorno externo, [...] enquanto estudante, de Verão, de sete [cousas], vem a ser:- cabeção, volta, camisa, batina, meias, sapatos, e fivelas; e de Inverno, de nove, porque entram calções e colete, que de Verão são inteiramente desnecessários."[16]
Segundo o Diccionario da Lingua Portugueza de António Moraes Silva (2 vols., Lisboa, 1789) "batina" era como o vulgo chamava à abatina, e esta era um "vestido de abade, ou clérigo secular, consta[ndo] de túnica, e capa talar mui fraldada". Quanto a "túnica": "vestidura talar, chegada ao corpo, e por baixo de capa".[17]

Sendo a túnica da batina descrita como talar, ou seja até ao calcanhar, deduz-se que era bastante mais comprida do que a actual batina. O facto de os calções serem dispensáveis sugere o mesmo. No entanto, no caso dos estudantes, é possível que não fosse rigorosamente talar - ou melhor, é natural que fosse um pouco mais curta do que a capa, já que, ainda na "Economia Escolástica", se lê: "Reprovo-lhe meias de seda, pois com o roçar da capa vão-se em dous dias"[18] - o roçar da capa, não da (túnica da) batina.






[1] Ou seja, a a universidade que foi fundada em 1288/1290 em Lisboa, transferida em 1308 para Coimbra, em 1388 de novo para Lisboa, em 1354 outra vez para Coimbra, em 1377 para Lisboa, onde esteve um longo (!) período de 160 anos e que ficou definitivamente instalada em Coimbra a partir de 1537.

[2] Cf. Léo Moulin, A Vida Quotidiana dos Estudantes na Idade Média, Lisboa: Livros do Brasil, 1994, págs. 44-46.

[3] Os primeiros estatutos da Universidade de Coimbra, Arquivo da Universidade de Coimbra, 1991, pág. 16; também citado em Maria Teresa Nobre Veloso, "O Quotidiano da Academia" (in História da Universidade em Portugal, I volume, tomo I, Coimbra: Universidade de Coimbra e Fundação Calouste Gulbenkian, 1997, págs. 129-151), pág. 134.

[4] Em Os primeiros estatutos da Universidade de Coimbra, pág. 17, aparece a seguinte tradução desta passagem, da responsabilidade do Prof. Doutor Monsenhor Cónego José Geraldes Freire, catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra:
"os mestres e doutores, quando vão para dar as suas lições ou para quaisquer outros actos escolares sigam, segundo o costume da Universidade, com o traje dos mestres ou dos doutores; e os licenciados e bacharéis que leccionarem, com traje honesto, pelo menos talar; e os restantes escolares honestos, ao menos até à meia tíbia".
Não tenho grande competência como tradutor de latim medieval mas, ressalvando a minha ignorância, atrevo-me a achar esta tradução um pouco livre e a usar no texto principal uma outra da minha autoria, feita quando ainda não conhecia esta. Vejo apenas duas diferenças significativas: "per modum universsi" creio poder significar quer "segundo o costume da Universidade" quer "dentro dos limites da universidade", e prefiro a segunda apenas para explicar o "vel" (= ou); "in aparatu in generali sive doctoralli" é mais complicado – traduzir "generali" por "dos mestres" parece-me de facto demasiado livre, pelo menos para os efeitos deste texto. De qualquer forma ficam-me dúvidas sobre esta passagem, que a mim parece indicar que os doutores e mestres podiam usar luxo não académico ("geral") ou, em alternativa, doutoral. Não parece haver quaisquer dúvidas sobre a secção final, que estipula que os licenciados, os bacharéis e os estudantes não graduados deveriam usar roupa sóbria ("honesta"), com os comprimentos indicados.

[5] Os primeiros estatutos da Universidade de Coimbra, pág. 34; também citado em Maria Teresa Nobre Veloso, "O Quotidiano da Academia", pág. 134.

[6] Ordenança pera os estudãtes da universidade de Coymbra, reedição fac-similada comemorativa do IV Centenário do estabelecimento definitivo da Universidade em Coimbra, s.l. [Coimbra?], s.d. [1937?]. Também citado por Manuel Cabral e Rui Marrana, Quid Praxis? (Portucalensis), Porto: Associação de Estudantes da Universidade Católica Portuguesa no Porto, 1982, pág. 52; e por Alberto Sousa Lamy, A Academia de Coimbra 1537-1990, Lisboa: Rei dos Livros, 1990, pág. 649.

[7] Estatutos da Universidade de Coimbra (1653), edição fac-similada, Coimbra: por ordem da Universidade, 1987, pág. 139. Também citado por António Nunes, "Subsídio para o estudo genético-evolutivo do Hábito Talar na Universidade de Coimbra" (in Universidade(s) - História, Memória, Perspectivas, vol.3, Coimbra, 1991, págs. 399-419), pág. 407; e por Alberto Sousa Lamy, A Academia de Coimbra, pág. 649 e seg.

[8] Isto é, os que viviam nos Colégios, espécie de Residências, normalmente pertencentes a ordens clericais.

[9] António de Oliveira, “O Quotidiano da Academia”, (in História da Universidade em Portugal, I volume, tomo II, Coimbra: Universidade de Coimbra e Fundação Calouste Gulbenkian, 1997, págs.617-692), págs. 643-644.

[10] Existiam outras formas de distinção, como o Foro Académico: os universitários (incluindo os funcionários e todos os que trabalhassem para a Universidade) estavam fora da alçada das autoridades comuns. Tinham tribunais, cadeia e mesmo polícia (os verdeais) próprios.

[11] António de Oliveira, “O Quotidiano da Academia”, págs. 642-643.

[12] Lamy, Academia de Coimbra, pág. 653.

[13] António Nunes Ribeiro Sanches, Obras, vol. I, Coimbra: por ordem da Universidade, 1959, pág. 158 (estes "Apontamentos...", datados de Paris, 17 de Julho de 1761, foram publicados originalmente em 1763 junto com o Método para aprender e estudar a Medicina). Esta passagem é também citada por Lamy, Academia de Coimbra, pág. 651. Na Universidade Real (por oposição a eclesiástica) que Ribeiro Sanches propunha, "todos os Magistrados, Lentes, Leitores, Estudantes internos e externos [andariam] vestidos da mesma sorte", com a única diferença de uma insígnia ("uma marca no vestido, como uma meia estola, de cores diferentes") pela qual se distinguiriam; e todas as peças de vestuário e afins seriam de fabrico nacional - Ribeiro Sanches criticava os enormes gastos dos estudantes de Coimbra neste campo, nomeadamente em artigos estrangeiros.

[14] "Loba" aparece no vol. V (1716), pág. 168; "Abbatina" no vol. I (1712), pág. 20.

[15] Cf. as entradas O hábito talar e as insígnias de Bernardino Machado (cont.) - Percursos do Hábito Talar em Coimbra, Porta-Maças da Catedral de Peterborough e Santo Ovídio "Doutor" do blogue Virtual Memories. António Nunes defende que a substituição da loba pela batina no traje dos estudantes de Coimbra se deu apenas depois das reformas liberais de 1834 - e ainda um pouco mais tarde no caso do traje dos doutores. Não estou convencido disso (devido ao testemunho de Ribeiro Sanches e ao que veremos a seguir), mas ressalve-se que: 1 - um relato de um viajante alemão, Heinrich Friedrich Link (1767-1851), que esteve em Coimbra em Maio de 1798, parece de facto descrever o traje dos estudantes e professores como constituído por loba (sem capa?); e 2 - um edital de 1843 utiliza ainda a palavra "lobas".

[16] Palito Métrico e correlativa Macarrónea Latino-Portuguesa, nova edição de harmonia com a quarta, de 1792, Coimbra: Coimbra Editora, 1942, pág. 384.

[17] A loba parece que era já antiquada: "Vestido escolástico antigo, consta de túnica aberta que sobrepõe por diante, sem mangas, e de uma capa talar".

[18] Palito Métrico, pág. 385.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Capa e Batina: a roupa do estudante

[A primeira versão deste texto, com o nome "A Capa e Batina - O Símbolo da Universidade", foi publicada no Guia do Caloiro da AEFCUP de 1994; a versão aqui reproduzida apareceu no Guia do Caloiro de 1998, mas infelizmente com um sério erro de edição: desapareceu uma linha, alterando consideravelmente o sentido de uma frase; essa linha foi aqui reposta. O texto deve ser lido tendo em atenção que se destinava essencialmente a caloiros e em particular aos da Faculdade de Ciências. Resisti à tentação de reescrever algumas partes, mesmo as que necessitariam de uns ajustes gramaticais.]


Muitas vezes, quem vê uma Capa e Batina pela primeira vez fica convencido que aquilo é uma roupa de cerimónia e de luxo, extremamente elitista. Nada mais falso. A Capa e Batina é para ser usada em (quase) qualquer situação (na praia não dá muito jeito); pode, também, ser usada como roupa de gala em certas condições (v. abaixo). Normalmente é para usar com simplicidade como uma roupa do dia-a-dia que é. A sua ideia é ser uma roupa para qualquer estudante, independentemente do poder económico (é barata considerando a qualidade e as vezes que se pode usar) e da altura do ano: se chover traça-se a capa, se fizer sol, tira-se o colete e põe-se a capa ao ombro, etc. A capa dá muito jeito para abrigar do frio da madrugada quando se volta a casa de uma noite de boémia, e eventualmente também para abrigar outras pessoas (o que pode ser bastante interessante).

É provável que ouças muitas regras sobre o uso do traje. Não podes fazer isto, tens que fazer aquilo, aqueloutro tem que ser em número ímpar, etc., etc., etc. A maior parte dessas regras são invenção de gente que não tem mais nada que fazer. Como distinguir as regras a mais das que têm fundamento? É com certeza muito difícil para um caloiro (até mesmo para a maior parte dos doutores). O que é preciso é ter bom-senso, perguntar a várias pessoas, combinar as várias respostas e tentar seguir as que pareçam ser mais tradicionais e fazer mais sentido dentro do espírito académico e praxístico. Ninguém disse que a Praxe era uma coisa imediata, embora muita gente pareça agir assim.

Mas pode-se dar já algumas ideias gerais. Fundamentalmente, o traje académico é para ser usado com sobriedade. Por exemplo, não há qualquer regra sobre tamanhos de brincos, mas já se sabe que não são admissíveis brincos que dêem demasiado nas vistas; brincos discretos não trazem problemas. Objectos de luxo em geral estão postos de parte.

Há também questões de boa educação e de bom gosto no uso do traje académico: por exemplo, é de má educação não ter a capa pelas costas em alguma ocasião um pouco mais solene, e demonstra uma certa dose de parolice ter a capa sempre muito dobradinha ao ombro, mesmo que esteja a chover ou um frio de rachar, mostrando uma quantidade de emblemas comprados na esquina, como quem diz: "sou muito académico porque tenho muitos emblemas".

Mas para quem gosta de regras, mesmo, leiam o seguinte. Nalgumas coisas há opiniões diferentes, mas em geral se seguirem estas indicações não devem ter problemas. Algumas não são regras em si mesmas, mas aplicações particulares de regras gerais, que mudam se as condições particulares mudarem. Agora, por amor de Deus (Baco), não tentem interpretar as vírgulas!


Traje Académico Masculino
:

- Capa preta;
- Batina preta de formato não eclesiástico;
- Calças pretas;
- Colete preto (dispensável em caso de muito calor);
- Gravata preta;
- Camisa branca com colarinhos normais;
- Meias pretas;
- Sapatos pretos de formato simples;
- Gorro preto (facultativo), sem borla e sem terminar em bico.

A batina deve ter um botão na parte de trás da lapela direita (e a casa correspondente na outra), para fechar em caso de luto.
Há uma versão de gala, com colarinhos de bico e laço preto em vez de gravata.


Traje Académico Feminino
:

- Capa preta;
- Casaco preto;
- Saia preta travada;
- Gravata preta;
- Camisa branca;
- Meias pretas;
- Sapatos pretos de formato simples;
- Gorro preto (facultativo), sem borla e sem terminar em bico.

Há divergências quanto à cor das meias: é, no entanto, unanimemente aceite que as orfeonistas usem meias cor de pele.
Não existe versão de gala.


Quando se usa a capa pelas costas, esta deve ter algumas dobras no colarinho. Há quem indique o número correspondente ao ano do curso em que se está, mas não se preocupem muito com isso.

A capa deve ter colchetes no colarinho, para apertar em caso de luto. Há quem diga exactamente o contrário, mas parece-nos, analisando as suas razões, que esta é a opinião mais correcta dentro do espírito tradicional.

Há quem diga que à noite a capa deve ser traçada ou, pelo menos, estar pelas costas. Numa serenata, tem absolutamente que estar traçada. Em qualquer ocasião de maior solenidade ou em que se deve mostrar respeito, a capa deve ser usada pelas costas e (embora menos importante), a batina apertada.

Na Missa, a capa põe-se pelas costas, sem dobras (mas não com os colchetes apertados).

Há muitas tradições diferentes relacionadas com os rasgões na capa. O fundamental é que se refiram a coisas muito importantes e que são feitos com os dentes (nada de tesouras!).

Pode-se ter emblemas cosidos no lado de dentro da capa, na parte inferior esquerda, desde que não se notem os pontos do lado de fora, nem os próprios emblemas quando a capa estiver traçada ou pelas costas.

Considera-se que os emblemas se devem referir a aspectos importantes da vida académica, ou muito importantes da vida pessoal. Por exemplo, um sítio onde se foi em digressão de algum organismo académico (se a ida foi mesmo académica), mas não um sítio onde se foi no Verão, de Interrail.

Os emblemas deviam ser, em princípio, isso mesmo: emblemas. Não exagerem nos "penduricalhos"! Em particular os grelos, nabiças, etc. na capa são dispensáveis.


Insígnias:


- semente: usa-se (só) nos cursos de cinco anos, durante o segundo ano. É uma fita pequena de algodão, com um nó, presa por um alfinete ao bolso superior esquerdo da batina ou casaco.

-nabiça: usa-se no segundo ano dos cursos de quatro anos, e no terceiro nos cursos de cinco. É uma fita pequena de algodão, com um laço, presa por um alfinete ao bolso superior esquerdo da batina ou casaco.

- grelo: usa-se no terceiro ano dos cursos de quatro anos e no quarto nos cursos de cinco. É uma fita de algodão que circunda a pasta onde esta dobra para fechar, terminando em laço.

- fitas: usa-se no último ano de qualquer curso. São oito fitas de seda dispostas ao redor da pasta.

(Nota: estes anos referem-se aos anos do curso e não ao número de inscrições. Há casos em que é difícil calcular o ano em que se está, mas apelamos ao bom senso).

Todas estas insígnias se colocam na Imposição de Insígnias da Queima das Fitas do ano anterior ao respectivo (se se calcular que se vai passar de ano). Obviamente só se usa insígnias (excepto cartola e bengala) estando de capa e batina.

Também se considera como insígnia a cartola e bengala, que se usa durante a Queima das Fitas em que se é finalista. Com a cartola e bengala os homens usam um laço e as raparigas uma roseta na lapela.

A cor de todas as insígnias é a da faculdade respectiva (no nosso caso azul claro).

As insígnias devem ser recolhidas à noite (normalmente exclui-se da obrigatoriedade a Queima e as Serenatas Monumentais).

Só se usam insígnias entre o início oficial do ano lectivo e a Queima das Fitas.

Não se usam insígnias fora do Porto (enfim, Grande Porto).

João Caramalho

P.S.: Antes que ouçam asneiras: os caloiros podem e devem usar traje académico e podem traçar a capa.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Académicos do Porto de capa e batina em 1890


Capa da pauta do "pasa-calle" Amor da Pátria, "brinde aos académicos do Porto". Deve datar de 1890, o ano em que se deu a crise do Ultimatum. O medalhão em que os académicos do Porto aparecem de capa e batina (com gorro, capa traçada à tricana e ainda batina fechada sem lapelas) é a imagem mais antiga que conheço de estudantes do Porto com traje académico.
(O "movimento patriótico Luso-Britânico" aqui aludido seria antes um movimento patriótico Luso e anti-Britânico, como se pode imaginar e se comprova por uma quadra de C. Lagôa que aparece no interior e que se refere a um "ódio tamanho [...] por essa astuta, hipócrita Inglaterra".)

"A Mocidade de Hoje"
A introdução no Porto de capa e batina.

[José Pinto de Queiroz Magalhães, Capa e Batina, n.º 1 (20/2/1930), págs. 1-2.]


«Recordar é viver».

Seja-me, pois, lícito evocar a lembrança, para mim saudosa, dum pequenino hebdomadário que se publicou na cidade do Porto no ano de 1883, a que o brilhante escritor António de Lemos, seu antigo colaborador, se referiu já há tempos no jornal «O Tripeiro» e mais recentemente no «Mundo» os ilustres escritores Albino Forjaz de Sampaio e o Dr. João Barreira, hebdomadário do qual foram redactores o signatário destas mal alinhavadas linhas e José Carlos Ehrhardt, hoje, depois de longos anos de labuta médica, facultativo aposentado da Câmara de Sertã.

Era este um jornal académico, que tinha como redacção um modesto quarto de estudante, alcandorado no 2.º andar, frente, do prédio n.º 137 da rua dos Caldeireiros, onde a mocidade académica desse tempo se reunia, numa ânsia fremente de liberdade, disposta a lutar por todas as ideias generosas, num adorável convívio de quasi irmãos.

Era de lá que aos domingos saía para os seus numerosos assinantes, com pontualidade britânica, pelo braço do seu entregador, «A Mocidade de Hoje».

De entre os periódicos académicos que nesta cidade do Porto viram a luz da publicidade por aquele tempo, e não poucos foram eles, recordando-me ainda com enternecida saudade de «A Ideia» de António Ferreira Neves Júnio, «O Jornal de Calíope» de Francisco Xavier de Sousa Pinto Leitão, «A Pérola» de António Rigaud Nogueira, «O Intermezzo» de Eduardo Artayett, «A Alma Nova» de Aureliano Cirne, etc., logrou «A Mocidade de Hoje» ser o que teve mais longa e próspera existência, chegando a publicar-se 32 números que dentro em breve se esgotaram por completo, constituindo por isso hoje esta publicação para os bibliófilos uma colecção rara e ipso facto de apreço.

Teve o aludido periódico a colaboração de brilhantes penas de reputação já feita, que muito concorreram para o prestigiar, tais como o Dr. Júlio de Matos, Dr. José Leite de Vasconcelos, Dr. Alves da Veiga, Jacob Bensabat, Madureira de Vasconcelos, Dr. Artur Cardoso Pereira, Dr. Aureliano Cirne, D. Clorinda de Macedo, etc., constituindo simultaneamente o escrínio onde ficaram arquivadas as primeiras produções de nóveis poetas e prosadores de fino quilate, parte dos quais já hoje são extintos, ocupando os que felizmente ainda vivem, lugares de destaque no seio da família portuguesa.

Entre os primeiros, seja-me permitido proclamar os nomes indelevelmente gravados no coração de todos que os conheceram de António Nobre, Eduardo Coimbra, José de Oliveira Macedo, Henrique José Martins Ferreira, João Zagalo Ilharco, Heliodoro Augusto Salgado, Augusto Geraldes de Mesquita (Gusanto), Guilherme Braga, filho, Hamilton de Araújo, Alexandre Braga, Eduardo Arteyett, Joaquim de Lemos, Dr. Adolfo Arteyett e tantos outros espíritos cintilantes duma élite intelectual que marcou; entre os segundos, o Dr. Augusto Nobre, ilustre professor e ex-reitor da Universidade do Porto, o Dr. José Leite de Vasconcelos, sábio professor da Faculdade de Letras de Lisboa, eminente filólogo e director do museu etnológico português, o Dr. Artur Cardoso Pereira, distinto médico-analista do Mercado Central de Produtos Agrícolas e abalizado professor da Universidade de Lisboa, o Dr. Bernardo Lucas, António de Lemos, Artur Mendes de Magalhães Ramalho, Alberto Baltar (Sereno Hírcio) e muitos mais, que ora me não ocorrem.

Pois foi neste mesmo quarto de estudante e redacção de «A Mocidade de Hoje» que a mesma geração de imberbes moços, como lhe chamou Raúl Sampaio, passados 4 anos realizou as reuniões preparatórias para a substituição das irrisórias casacas por um uniforme académico mais consentâneo com o espírito moderno, nos actos a realizar.

Ali apareceram vários modelos de uniformes com desenhos do ilustre pintor visiense José de Almeida e Silva, então aluno da Academia de Belas-Artes e redactor do «Charivari», optando-se alfim pela capa e batina, em virtude das tradições que andavam ligadas.

Depois de devidamente aprovada pelo Conselho da Escola Médica-Cirúrgica, onde a defendeu com entrain o célebre Urbino de Freitas, foi enfim esta autorizada, embora apenas facultativamente, sendo pela primeira vez usada no ano de 1889 pelos alunos da Escola Médica-Cirúrgica do Porto, sendo os estudantes do 3º ano médico dessa referida data quem, para dar o exemplo, se antecipou a romper com o preconceito citadino, envergando pela primeira vez no Porto, roçando pelo escândalo, o tradicional uniforme académico da velha universidade coimbrã.

Entre esses terceiranistas reformistas, contam-se José de Oliveira Serrão de Azevedo, Aníbal Barbosa de Pinho Lousada, Scipião José de Carvalho, José Jorge Pereira, Francisco da Silva Garcia, João Leite de Castro, Francisco Xavier Couto de Amorim Novais e o autor desta pequenina memória - sem dúvida um dos mais entusiastas apóstolos de tal ideia.

José Pinto de Queiroz Magalhães
Médico e Professor da Escola Normal Primária do Porto.

segunda-feira, 29 de março de 2010

O Decreto 10290, de 12/11/1924, sobre a Capa e Batina

MINISTÉRIO DA INSTRUÇÃO PÚBLICA

Direcção Geral do Ensino Secundário

2.ª Repartição

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Decreto n.º 10:290


Considerando que o Estatuto Universitário de 6 de Julho de 1918, determinando no seu artigo 101.º, § único, que não é obrigatório qualquer traje académico para os estudantes, implìcitamente reconhece o uso facultativo de capa e batina para os alunos de ambos os sexos;
Considerando que se tem sempre reconhecido a capa e batina como traje escolar dos que freqüentam as Universidades, escolas superiores e liceus:


Usando da faculdade que me confere o n.º 3.º do artigo 47.º da Constituição Política da República Portuguesa:
Hei por bem decretar, sob proposta do Ministro da Instrução Pública, o seguinte:
Artigo 1.º É permitido aos estudantes de ambos os sexos das Universidades, liceus e escolas superiores o uso da capa e batina, segundo o modêlo tradicional, como traje de uso escolar.
Art. 2.º A todas as pessoas que indevidamente enverguem capa e batina são aplicadas as sanções estabelecidas pela legislação penal para o uso ilegítimo de uniformes, fardamentos e distintivos.
Art. 3.º Fica revogada a legislação em contrário.
O ministro da Instrução Pública assim o tenha entendido e faça executar. Paços do Govêrno da República, 12 de Novembro de 1924.– MANUEL TEIXEIRA GOMES – António de Abranches Ferrão.